A Comissão de Educação do Senado Federal aprovou um projeto que visa, na prática, acabar o direito dos estudantes à meia-entrada em eventos esportivos e culturais. O substitutivo da senadora Marisa Serrano (PSDB) ao PL 188/07, de seu colega de partido senador Eduardo Azeredo, impõe cotas de 40% para a meia-entrada na venda dos ingressos.
A agressão à juventude, bem ao gosto tucano, veio encoberta sob o véu da "fiscalização" e da "moralização" do acesso a esse direito. Alegam que o descontrole na emissão do documento de identificação estudantil gera fraudes e faz com que os espetáculos encareçam. Não dizem, no entanto, que foi o próprio PSDB que criou essa situação através da famigerada MP 2208/01, editada no governo de FHC para atacar o movimento estudantil e que, felizmente, caiu em desgraça mesmo entre seus criadores.
Ardilosos, na realidade alguns senadores cederam ao lobby empresarial e querem inviabilizar na prática a aquisição da meia-entrada. Portam-se como inimigos da juventude, uma vez que, se aprovada, a medida criará mais um obstáculo para que milhões tenham condições de acesso à cultura, ao esporte e ao lazer. São também elitistas, pois alijam em particular as camadas mais pobres do enriquecimento cultural e o entretenimento.
Os próprios empresários culturais reconhecem ser impossível garantir transparência e respeito a esse regime de cotas. Estarão nas mãos dos empresários a faca e o queijo. Será deles o poder exclusivo para disponibilizar quantas meias-entradas quiserem, restando aos estudantes contar com a boa vontade empresarial.
As entidades estudantis propuseram todos os mecanismos para que o direito à meia-entrada ficasse resguardado e, ao mesmo tempo, fosse combatido o mau uso. A instituição de um Conselho Nacional de Fiscalização e a emissão exclusiva do documento de identificação pelas entidades estudantis cadastradas nesse Conselho estão contempladas em projetos que tramitam no Congresso e, por si, já inviabilizariam a fraude, reivindicação de todos os segmentos que participam desse debate.
A injustificável supressão de um direito conquistado com anos de luta demonstra a opção dos senadores que votaram a favor. A União da Juventude Socialista também faz sua opção: lutar com todos os meios para reverter essa medida arbitrária e desmascarar o verdadeiro interesse dos inimigos dos estudantes e da juventude.
Fonte:www.ujs.org.br